No final de semana de 13 e 14 de setembro de 2008 lideres econômicos discutiam ajuda a bancos de investimentos imobiliários. E na segunda-feira, dia 15 de setembro do mesmo ano, o maior deles, o Banco Lehman Brothers, anunciava a sua falência e o mundo mergulhava numa crise sem precedentes na história.
Essa crise é sem precedentes porque atinge o centro nervoso do sistema financeiro, que é o crédito. Sem crédito a economia não gira, não há renovação de capital. Muitos bancos não tinham dinheiro para emprestar e quem tinha dinheiro não tinham a coragem de emprestar e nem a garantia que iriam receber. Sem credito a industria não produz e sem produção não há comércio. E sem o funcionamento do comércio movimentado pelas vendas. E sem vendas não há investimentos na produção. Desta forma, não há como especular e a economia fica estagnada.
O outro lado da crise é o ideológico. A ideologia, de modo simples, é uma visão parcial e particular da realidade. É enxergar o mundo segundo nossas crenças, ou simplesmente, são as lentes pelas quais olhamos a realidade.
A crise se torna ideológica quando as visões de mundo não mais conseguem explicar a realidade, no caso é a ideologia que entre em crise. O episódio que ilustra bem isso foi a declaração do presidente do Banco Central Americano. Com tom de voz melancólico, que o que ele sempre acreditou que fosse a expressão da verdade, ou seja, ele acreditava que o mercado se auto gerenciava. Em outras palavras, aquilo que chamamos de mercado, os grandes grupos econômicos, é que dita as regras do jogo econômico e não precisariam de governo para regulamentar. E mais, que o mercado, ou melhor, as grandes empresas multinacionais não dependeriam do governo, mas seria os governos que dependeriam delas.
Porém, isso tudo veio abaixo, o mercado, cego por sua ganância, não enxergou soluções para evitar a crise e também soluções para sair dela. Os Estados tiveram que intervir na economia nas economias, socorrendo as empresas endividadas, gerenciando a crise, fornecendo credito, baixando impostos e taxas, em outras palavras assumindo o ônus da ingerência da crise por para do mercado.
É sintomática a melancolia na voz do ex-presidente do Banco Central Americano, pois essa visão de realidade, ou melhor, essa ideologia, mostrou-se míope, incapaz de evitar a crise e sair dela sem ajuda dos governos, talvez pela não-capacidade de reduzir os lucros e diminuir a ganância.
Estamos, desta forma, num novo ciclo do capitalismo, o da intervenção do Estado nos mercados, não para normatizar como deveria, mas para salvar as grandes empresas do colapso.
Nesse novo ciclo o Estado participa do mercado, não recebendo parte dos lucros e repassando para sociedade, principalmente para as classes menor renda, mas assumindo o ônus do prejuízo e pagando as dividas. Portanto, o capitalismo se mostrou mais uma vez sua capacidade de mutação, como um outras tantos vírus nocivo e mortal.

Nenhum comentário:
Postar um comentário